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Educação e carreira

8 de Março – Dia Internacional da Mulher

JANEIRO BRANCO - SINDUEMA - site

Professoras da UEMA e da UEMASUL enviam recado às estudantes e reforçam luta por um futuro mais justo na universidade

São Luís (MA) – No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, professoras da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL) divulgaram uma mensagem direcionada às estudantes das duas instituições. O recado vai além da homenagem à data: ele conecta a trajetória das docentes com o futuro das alunas e reforça que a luta sindical por valorização da carreira também é uma luta pelas próximas gerações de mulheres na universidade.

Na mensagem, as professoras incentivam as estudantes a seguirem na vida acadêmica, avançando para a pós-graduação e para a carreira docente. Ao mesmo tempo, alertam para os desafios estruturais que ainda marcam a presença feminina no ensino superior brasileiro, especialmente no que diz respeito à valorização profissional, às condições de trabalho e à sobrecarga que recai sobre as mulheres.

A proposta é clara: fortalecer a carreira docente hoje para que as estudantes encontrem amanhã uma universidade mais justa, com melhores condições para quem ensina, pesquisa e produz conhecimento.

A presença feminina na educação superior

Nas últimas décadas, as mulheres ampliaram significativamente sua presença nas universidades brasileiras, tanto como estudantes quanto como pesquisadoras e professoras. Esse movimento acompanha o processo de expansão da educação superior no país, intensificado principalmente a partir dos anos 1990 e 2000.

Estudos sobre o tema indicam que o crescimento das matrículas femininas no ensino superior é um fenômeno relevante, mas que não elimina completamente as desigualdades de gênero dentro das instituições acadêmicas. Pesquisa sobre a expansão da educação superior brasileira aponta que, apesar da ampliação das oportunidades de acesso, “as desigualdades persistem”, inclusive no que se refere às trajetórias acadêmicas de homens e mulheres (MARTINS, 2014).

Isso significa que o aumento da participação feminina não garante, por si só, igualdade de condições dentro da universidade. Diferenças nas trajetórias acadêmicas, nas oportunidades de carreira e nas condições de trabalho continuam sendo observadas em diferentes áreas do ensino superior.

É nesse contexto que as professoras da UEMA e da UEMASUL situam sua mensagem às estudantes: ocupar a universidade é fundamental, mas também é necessário transformar as condições em que esse trabalho é realizado.

Carreira acadêmica e múltiplas jornadas

Um dos pontos destacados pelas docentes é a realidade da chamada múltipla jornada de trabalho enfrentada por muitas mulheres. Além das atividades profissionais e acadêmicas, elas frequentemente acumulam responsabilidades familiares e tarefas de cuidado, o que impacta diretamente suas trajetórias educacionais e profissionais.

Essa realidade aparece de forma concreta durante a formação acadêmica. Para cursar mestrado ou doutorado, muitas estudantes precisam se deslocar para outras cidades, estados ou até países, experiência que pode se tornar ainda mais desafiadora para mulheres que não contam com redes de apoio para dividir responsabilidades familiares.

Histórias de estudantes que conciliam trabalho, estudo e deslocamentos frequentes fazem parte da realidade de muitas trajetórias acadêmicas. A própria produção científica sobre o tema registra experiências semelhantes. Em uma dissertação sobre representatividade feminina na educação superior, por exemplo, a autora relata as dificuldades de deslocamento e a importância das redes de apoio familiares durante o período de formação acadêmica (MOREIRA, 2024).

Esse conjunto de desafios evidencia que a permanência e o avanço das mulheres na carreira acadêmica dependem não apenas do acesso à universidade, mas também de condições estruturais que permitam conciliar formação, trabalho e vida pessoal.

Precarização do trabalho docente

Outro tema central na discussão sobre o futuro da carreira acadêmica é a precarização do trabalho docente. Pesquisas sobre o magistério superior apontam que mudanças institucionais, intensificação do trabalho e ampliação das exigências profissionais têm impactado diretamente a qualidade de vida dos professores universitários.

Estudo sobre qualidade de vida no trabalho de docentes de instituições federais de ensino superior identificou fatores como carga de trabalho, estresse ocupacional e equilíbrio entre vida profissional e pessoal como elementos relevantes para compreender as condições do trabalho acadêmico (DE PAULA, 2015).

A literatura também aponta que essas condições podem afetar o bem-estar psicológico e a saúde dos docentes, incluindo situações associadas ao estresse ocupacional e à síndrome de burnout.

Pesquisas sobre precarização do trabalho docente em programas de pós-graduação também indicam que mudanças institucionais e organizacionais podem alterar a forma como o trabalho acadêmico é realizado, ampliando exigências e pressionando as condições de atuação dos professores (MAIA, 2012).

Esses fatores ajudam a explicar por que organizações sindicais e associações docentes têm colocado a valorização da carreira universitária como pauta central.

A luta das professoras também é pelas estudantes

É nesse ponto que a mensagem das professoras da UEMA e da UEMASUL se conecta diretamente com a atuação sindical. Para as docentes, lutar por melhores condições de trabalho, salários dignos e valorização da carreira não é apenas uma reivindicação corporativa.

Trata-se também de uma defesa do futuro da universidade pública e das estudantes que hoje ocupam as salas de aula.

Quando as professoras falam às alunas sobre seguir na carreira acadêmica, elas também reconhecem que é necessário transformar as condições estruturais que ainda dificultam a permanência e o avanço das mulheres no magistério superior.

O recado do 8 de março, portanto, é ao mesmo tempo um gesto de reconhecimento e um compromisso com as próximas gerações.

As professoras afirmam que desejam ver suas estudantes concluindo a graduação, ingressando em programas de mestrado e doutorado e, futuramente, ocupando as salas de aula como docentes e pesquisadoras.

Mas também deixam claro que o caminho para esse futuro passa pela defesa de uma universidade pública que valorize o trabalho docente e garanta condições dignas para quem escolhe dedicar a vida à educação e à produção de conhecimento.

Fortalecer as professoras de hoje, afirmam, é abrir caminho para as professoras de amanhã.


Referências citadas

  • DE PAULA, Alessandro Vinicius. Qualidade de vida no trabalho de professores de instituições federais de ensino superior. Universidade Federal de Lavras, 2015.

  • MAIA, Carol Serrano de Andrade. Impactos da precarização do trabalho sobre professores de pós-graduação da Universidade Federal da Paraíba. UFPB, 2012.

  • MARTINS, Mariele. A expansão da educação superior brasileira: diferentes oportunidades, segundo a origem social e diferentes percursos, segundo o gênero. UFSC, 2014.

  • MOREIRA, Bruna Suene Silva. Onde estão elas na educação superior? Representatividade feminina a partir dos campi do continente/UFMA. UFMA, 2024.

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