ENTREVISTA – Professores da UEMA e UEMASUL apresentam defasagem salarial em entrevista à Agência Tambor

A Agência Tambor transmitiu, nesta quarta-feira (28), entrevista com o presidente do Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual do Maranhão (SINDUEMA SSind – ANDES-SN), Professor Doutor João Coelho Filho. Durante o programa, o dirigente expôs as contradições nos vencimentos da rede estadual de educação e alertou para os impactos diretos na qualidade do ensino superior no Maranhão.
Defasagem salarial e exclusão da educação superior
Na ocasião, o presidente do SINDUEMA destacou a grave defasagem salarial enfrentada pelos professores universitários. O tema ganhou relevância após o anúncio do governador Carlos Brandão sobre reajuste salarial para os docentes da educação básica, sem contemplar os professores da educação superior, que permanecem em meio a uma crise estrutural e financeira.
Em resposta ao cenário, docentes da UEMA e da UEMASUL manifestaram publicamente seu descontentamento com as condições salariais e de trabalho.
Comparativo entre ensino básico e superior
O professor João Coelho apresentou uma análise comparativa entre os dois níveis de ensino. Segundo dados oficiais publicados no Diário Executivo de 21 de novembro de 2023, um docente do magistério superior em regime de 40 horas recebe remuneração inicial de R$ 4.885,79. Já um professor da educação básica, também em regime de 40 horas, classe II C, inicia com R$ 8.394,36, somando vencimento e Gratificação de Atividade de Magistério (GAM).
Os cálculos evidenciam que a remuneração do magistério superior equivale a apenas 58% do valor pago ao ensino básico para a mesma carga horária. Neste contexto, uma das principais reivindicações da categoria é a equiparação salarial.
Histórico de valorização e retrocessos
O presidente relembrou que, no passado, a desvalorização da carreira docente colocava a UEMA entre as cinco instituições de ensino superior mais mal avaliadas do país. Esse quadro foi revertido após políticas de valorização que incentivaram a profissionalização e a dedicação exclusiva, ampliaram a qualificação docente e fortaleceram a pesquisa.
Entretanto, a atual desvalorização ameaça novamente a qualidade do ensino e da pesquisa. A falta de investimentos em laboratórios, bibliotecas e hospitais universitários compromete a produção científica e a formação prática dos estudantes.
Impactos sociais e acadêmicos
A precariedade das condições de trabalho, somada à defasagem salarial, tem levado muitos docentes a buscar outras fontes de renda, reduzindo o tempo dedicado às atividades acadêmicas. O professor João Coelho foi enfático:
O dirigente reforçou que a situação gera consequências sociais profundas, já que as universidades são polos de inovação e desenvolvimento regional. Sem valorização adequada, o estado corre o risco de perder competitividade científica e comprometer a formação de mão de obra qualificada.
Mobilização da categoria
Diante desse cenário, movimentos estudantis e docentes têm se mobilizado para pressionar o governo estadual por reajustes salariais e melhores condições de trabalho. O sindicato já atua de forma organizada, promovendo assembleias, elaborando estudos comparativos e formalizando propostas de reajuste encaminhadas ao governo. Entre as medidas, está a solicitação de antecipação da última parcela do acordo previsto na Lei nº 12.121/2023, que estabelece reajuste de 3,5% em julho de 2026, além da inclusão da UEMA e da UEMASUL no reajuste geral da educação básica do corrente ano, entre outras reivindicações.
Ações públicas e conscientização
O SINDUEMA também tem realizado atos e campanhas de conscientização, buscando sensibilizar a sociedade sobre a importância da valorização dos docentes universitários. O objetivo é pressionar o poder público a reconhecer a urgência da pauta e abrir espaço para negociações efetivas que garantam melhores condições de trabalho e remuneração.
Confira abaixo a entrevista na íntegra 👇🏿