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Silêncio e exaustão: o adoecimento invisível dos docentes da UEMA e UEMASUL

JANEIRO BRANCO - SINDUEMA

O assunto vem ganhando cada vez mais espaço na agenda de debates acadêmicos. De modo preocupante, o adoecimento de professores universitários está cada vez mais presente no cotidiano das universidades, com o sucateamento das instituições e a alta carga de trabalho como alguns dos principais fatores

Nos últimos anos, o debate sobre saúde mental no ensino superior tem ganhado força, impulsionado por um aumento de pesquisas sobre a qualidade de vida da comunidade acadêmica. Estudos recém-publicados apontam avanço de quadros de burnout, depressão, ansiedade e insônia entre professores de diferentes áreas e níveis de atuação. Isso mostra que a sala de aula já não é o único espaço de enfrentamento; fora dela, após longas jornadas, cresce um inimigo silencioso, o adoecimento mental.

Sobrecarga, contratos instáveis, infraestrutura precária e ausência de políticas institucionais de cuidado têm levado muitos docentes ao limite da exaustão física e emocional. No Maranhão, a realidade das universidades estaduais adiciona camadas de vulnerabilidade: campi no interior com estrutura deficiente, jornadas que extrapolam o contrato e vínculos temporários que fragilizam a estabilidade emocional.

Um dos estudos que reforçam esse cenário é a pesquisa “Análise da saúde mental de professores universitários brasileiros atuantes no ensino superior”, da Universidade Federal do Pará (UFPA). O levantamento identificou altos índices de sofrimento psíquico entre docentes, com destaque para sintomas de ansiedade, estresse crônico e exaustão emocional. Segundo o estudo, a sobrecarga de trabalho, a pressão por produtividade acadêmica e a precarização das condições de ensino são fatores centrais no adoecimento, elementos presentes de forma intensa na realidade da UEMA e da UEMASUL.

A ausência de concursos públicos regulares e a predominância de contratos temporários ou precários agravam a sensação de insegurança entre os docentes. Essa instabilidade compromete não apenas o bem‑estar dos profissionais, mas também a continuidade e a qualidade do ensino. Com poucos benefícios institucionais e uma carga de trabalho que se estende muito além da sala de aula, a carreira docente transforma-se em um percurso marcado por sobrecarga física e emocional, um desafio cotidiano que afasta a ideia de valorização e torna o exercício da profissão cada vez mais exaustivo.

Para a professora Carmem Barroso Ramos, da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL), o ritmo acelerado e a busca constante por produtividade têm impacto profundo sobre a saúde dos professores. Doutora em História, com atuação em Sociologia e pesquisa em educação e patrimônio cultural, ela observa, a partir da vivência e da investigação acadêmica, como as altas exigências comprometem a qualidade de vida e as relações no ambiente de trabalho:

“A gente vive no modo sobrevivência e não no modo vivência. O trabalho acadêmico virou uma loucura: você não tem mais uma vida sua, tem uma vida para o trabalho. Nem nas férias conseguimos parar: estamos respondendo e-mails, alimentando currículo, planejando o semestre seguinte. Isso nos coloca numa bolha alienante, em que o tempo todo estamos disputando produtividade até com os nossos próprios colegas. É um jogo do cansaço que vai nos consumindo.”

Ela também chama atenção para o papel das tecnologias digitais na expansão do espaço de trabalho:

“Essas tecnologias nos mantêm conectados o tempo todo. A gente achava que isso era algo saudável, mas virou um estresse constante. A professora é aquela pessoa que nunca deixa de trabalhar: vai para casa e segue até de madrugada. Isso é altamente prejudicial.”

Mesmo diante de um quadro preocupante, faltam iniciativas públicas e institucionais voltadas à saúde mental docente. Não há, de forma generalizada, programas estruturados de acolhimento psicológico nem espaços coletivos de escuta e cuidado. O que se observa, muitas vezes, é o isolamento e o adoecimento silencioso de profissionais que sustentam o ensino superior público no estado.

Reconhecer esse quadro é o primeiro passo. É preciso ir além, investir em infraestrutura, garantir estabilidade por meio de concursos, reduzir a carga burocrática e criar políticas permanentes de cuidado. Cuidar da saúde mental dos professores é também cuidar da qualidade do ensino e do futuro da educação pública no Maranhão.

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